terça-feira, 27 de abril de 2010

Causas das Alegrias

Comumente buscamos saber as causas das nossas aflições, tristezas e dores. Pegamos o Evangelho Segundo o Espiritismo para ler um trecho e queremos o consolo para aquela dor que nos aflige tanto, a mágoa que não quer sair, sempre a tristeza que invade o peito...
O noticiário não ajuda: as manchetes entopem a visão de todos com cenas pesadas de: sangue, corrupção, violência, enfim, tristezas e dores, enfim, um leque de coisas ruins; as maiores mazelas que o Homem moderno consegue praticar. Tudo isso colabora para ampliar mágoas, angústias, sentimentos que super-dimensionam nossos problemas.
Isso mesmo, nossos problemas ficam maiores: acabamos por nos sentir imersos em tantas dores, somados às nossas próprias comoções e tristezas, vemos as aflições do mundo, as violências, as mentiras, a podridão moral, ao final do dia, nos sentimos num verdadeiro vale de lágrimas. Lembramos das nossas contas em atraso, das dívidas que ainda temos e não conseguimos pagar, do caos mal resolvido, dos inimigos declarados e dos ocultos, do emprego que não vem, ou do amor que não surge, ou do amor que já se foi.
Pegamos o jornal do dia: notícias que dão medo – catástrofes assolando o planeta, o país, a vergonha imperando, só destaques negativos, talvez uma ou outra notinha positiva, mas em letrinha miúda, não vamos ter tempo para ler.
Mas, será que não podemos encarar tudo isso sob outro aspecto? Não poderíamos ver a vida sob outra ótica ou com óculos que mostrassem o colorido real que há nela? Cores que existem de verdade, não uma pintura de mentira. Não quero ser enganado, quero ver uma coisa que existe também.
Jesus, o Mestre dos mestres, disse que a “felicidade não é deste mundo”, pois bem, mas não disse que não poderíamos ser felizes. Veja o “post” A Felicidade é deste Mundo Sim.
Onde estão as causas das alegrias? Há um trecho no Evangelho que diz que Deus permite que haja a noite para valorizarmos o dia, então, quando estamos saudáveis, é motivo de alegria? Quando estamos caminhando com as próprias pernas, temos motivos para comemorar? Quando podemos admirar a luz do dia, o colorido das flores podemos exaltar nossa existência? Quando podemos tocar as mãos da pessoa amada, apertar com força e dizer-lhe – eu te amo, seria uma razão de festejar?
Podemos pensar: Ah, mas isso eu faço sempre, nem percebo. Muitas vezes reclamo porque me doem as pernas ou meus olhos estão cansados.
Imaginemos se, por hipótese, Deus não mais me permitisse que eu fizesse tudo isso? Ele pode? Sabemos que sim, de acordo com nosso merecimento.
Muitos são os casos de jovens que, de uma hora para outra, por “bala perdida” ficam paraplégicos e tudo na vida se acaba! Antes eles tinham motivos de alegrias? De sobra! E não sabiam, não percebiam e, por conseguinte, não valorizavam. Quando isso acontece, e vemos o noticiário, apenas lamentamos a “sorte” ou melhor, a falta de “sorte”, dizendo, “puxa, que pena, e agora”, mas nos esquecemos de lembrar todo o tempo que aquela pessoa, ou aquele Espírito, teve para aproveitar a vida, os momentos de alegria e, talvez não o tenha feito de forma apropriada. Será que não estamos também da mesma forma, desperdiçando momentos de alegria?
No amor, ah esse amor que nos ataca de repente e não sabemos valorizar. A vida é cheia de surpresas, mas temos de fazer por merecer as surpresas boas, e Deus pode nos dar essas boas surpresas, basta plantarmos para depois colhermos. Todos os dias plantamos, e todos os dias colhemos. Amor é um sentimento sublime que devemos praticar sempre, até como forma de subsistir. Quando não o praticamos, sofremos e nem sabemos que estamos sofrendo por causa disso.
As vezes as causas das aflições podem estar na falta de amor ao próximo ou a si mesmo. Mas pode também estar na prática desse amor, na forma de executar os ensinamentos desse sentimento no dia a dia, como forma de praticar a lei de amor que o Mestre tanto ensinou.
Normalmente só damos valor a algo quando perdemos. Infelizmente, é comum um relacionamento acabar, para se dizer: puxa, ele era tão bom, ela era tão maravilhosa, eu a amava tanto, e agora se foi. Só descobri isso quando perdi. Isso acontece não só no amor, mas também com outras situações, como está no Evangelho que diz que temos a noite para valorizar o dia, dor para valorizar a saúde.
Como vimos, estamos vivendo em meio a tantos motivos de alegrias, tantos motivos para agradecer a Deus pela vida, pela saúde, pelo amor que temos, pelas pernas que nos locomovem, pela visão que nos orienta, pelos braços que nos ajudam, pelo trabalho, por tudo que temos, mas escolhemos alguns dos problemas que ainda temos para reclamar e pedir ajuda, nos fazer de coitados, baixar a cabeça e nos encostarmos. Olhar as coisas ruins da TV, dos jornais, da vida, dos seres humanos, parar para esperar uma solução ao invés de ajudar.
Não que tudo nas nossas vidas seja uma maravilha. Certamente pensamos: tenho isso e aquilo como problema, eu sei, também os tenho e não são pequenos, mas quero, hoje, render graças ao nosso Pai Maior, a esse Ser de infinita bondade de misericórdia, por tudo de bom que temos e não sabemos valorizar. Por tudo que temos, pela bondade da vida, temos tantas alegrias a agradecer, que acabamos nos esquecendo de valorizar. Hoje me sinto muito feliz por poder agradecer a Deus por tudo isso. Sentia-me envergonhado por esquecer de Lhe dizer, obrigado meu Deus pelas minhas pernas, pela visão, pela palavra, pelo emprego, pelos amigos, pelo amor, pela companheira, pelas filhas, pelos meus pais, pelos meus alunos, meus professores, e também meus inimigos.
Quantas alegrias e não as percebia, nem as valorizava, somente em momentos de perda me dava conta das conquistas. Quando o parente se vai, choramos sua perda, a tristeza bate, a dor nos assola, mas de nada adianta. Teríamos que aproveitar enquanto estávamos vivos e ao seu lado. Isso é alegria, viver ao seu lado.
No amor, ah no amor! As vezes temos de tudo junto à pessoa amada e não percebemos, mas quando não tivermos mais, descobrimos quanto falta ela nos faz!
Aproveitemos tudo que temos, porque um dia poderemos não ter mais e então teremos motivos para sentir aflição, mas agora, não temos todos esses motivos que imaginamos. Não temos uma vida cheia de martírios e decepções, de dores e sofrimentos como queremos pintar. A vida é bonita, é cheia de encantos, com alguns matizes de cinza, alguns tons mais escuros, é bem verdade, mas compete a nós torná-la colorida com a aquarela que Deus nos dá para pintar a existência que temos.
O que vocês acham desse ponto de vista? Têm mais alegrias ou aflições? Chegaram a fazer um balanço da vida? Qual foi o resultado? Aguardo seus comentários e opiniões.

Um comentário:

  1. De excelente qualidade este texto, edificante,educativo, um convite à reflexão, após ler o mesmo, percebo um convite implícito a uma mudança de atitude: ou saímos da acomodação ou vivos já estamos mortos.E arrastaremos constantemente uma cegueira em não ver as maravilhas que nos cercam.
    Parabéns.

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