quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

O ESPIRITISMO É RELIGIÃO?


Quero colocar um tema para ampliar o conhecimento e trazer a discussão, esclarecendo um assunto que, até mesmo os espíritas têm se equivocado ao comentar. Seria a Doutrina Espírita também uma religião?
Kardec definiu o Espiritismo com “a ciência que trata da natureza, da origem e do destino dos Espíritos e das suas relações com o mundo corporal”. – O Que é o Espiritismo. Kardec acrescentou: “O Espiritismo é, ao mesmo tempo, Ciência de observação e Doutrina Filosófica. Como Ciência prática, tem a sua essência nas relações que se podem estabelecer com os Espíritos. Como filosofia, compreende todas as conseqüências morais decorrentes dessas relações.”
A Doutrina Espírita, inseparável em seus três aspectos, assim deve ser estudada, compreendida e praticada: ela esclarece, comprova e demonstra, racionalmente, a natureza espiritual do Homem e o seu glorioso destino.
“O homem encontra a si mesmo, no triângulo de forças da concepção espírita. A pesquisa científica demonstra-lhe a realidade espiritual da vida, rompendo o véu das aparências físicas; a cogitação filosófica desvenda-lhe as perspectivas de vida espiritual, em seu processo dialético, através do tempo e do espaço; a fé raciocinada, consciente, da religião em espírito e verdade, abre-lhe as vias de comunicação com os poderes conscientes que o auxiliam na ascensão evolutiva.” – O Espírito e o Tempo – J. Herculano Pires.
O Espiritismo é completo: como Ciência nos prova que a vida é eterna, apenas transcorrendo em planos diferentes, sendo o espiritual a nossa verdadeira pátria; como Filosofia nos explica o mecanismo da Evolução e das leis que regulam as relações entre as almas, no seu eterno caminho para Deus; como a Religião natural, ilumina o nosso comportamento no mundo das formas físicas, aumentando o nosso discernimento do bem e do mal e mostrando a nossa responsabilidade na escolha dos caminhos que seguimos, para atingirmos os objetivos da Criação e a felicidade, com a perfeição moral.
Como Filosofia, esclarece-nos acerca de nossas responsabilidades individuais e coletivas, no campo social ou espiritual; como Ciência, prova-nos a existência, a sobrevivência e a imortalidade do espírito; como Religião, ensina-nos a interpretar os Evangelhos em espírito e verdade.” – João Teixeira de Paula – Estudos de Espiritismo”.
Emmanuel, em O Consolador, diz: “Podemos tomar o Espiritismo, simbolizado desse modo, como um triângulo de forças espirituais. A ciência e a filosofia vinculam a Terra essa figura simbólica, porém, a religião é o ângulo divino que a liga ao céu. No seu aspecto científico e filosófico, a Doutrina será sempre um campo nobre de investigações humanas, como outros movimentos coletivos, de natureza intelectual, que visam ao aperfeiçoamento da humanidade. No aspecto religioso, todavia, repousa sua grandeza divina, por constituir a restauração do evangelho de Jesus Cristo, estabelecendo a renovação definitiva do homem, para a grandeza de seu imenso futuro espiritual.”
O Espiritismo Filosófico
Quando o Homem pergunta, interroga, cogita, quer saber “como” e o “por que” das coisas, dos fatos, dos acontecimentos, mas a FILOSOFIA, que mostra o que são as coisas e por que são as coisas. O Homem, por natureza, quer sempre saber cada vez mais, procurando compreender como as coisas e os fatos se ordenam, ou acontecem.
Quando fazemos um estudo dos problemas, da nossa origem e do nosso futuro, estamos filosofando. O Espiritismo analisa todos os pontos que chamam atenção do ser humano. É através do estudo do Espiritismo que entendemos as diversas vidas, a justiça divina, as provas e expiações, o livre-arbítrio, a vida eterna, os verdadeiros valores, a fé raciocinada, nossas origens e nosso futuro.
“A Filosofia Espírita desemboca, assim, na Moral Espírita, que não é outra senão a própria moral evangélica, racionalmente explicada, inteiramente desembaraçada das interpretações teológicas e místicas” – J. Herculano Pires, O Espírito e o Tempo.
O Espiritismo Científico
Ao confirmar os ensinamentos que prega e dissemina, o Espiritismo determina uma visão que passa da Filosofia para a Ciência.
Kardec em A Gênese diz que “como meio de elaboração, o Espiritismo procede, exatamente, da mesma maneira que as ciências positivas, aplicando o método experimental”.
O Espiritismo, ao contrário de outros segmentos espiritualistas, não se perde em hipóteses metafísicas, porém, constitui um processo triplo de conhecimento: filosófico, científico e religioso (moral). Como filosofia trata dos conhecimentos frente à razão. Interpreta os fenômenos, analisa os resultados; como ciência, prova-os!
A Ciência acadêmica infelizmente ainda não admite dedicar-se a um estudo mais apurado e despretensioso do Espiritismo, pois, poderá completar muitos vazios ainda existentes nos estudos atuais. Sendo o Espiritismo uma Ciência que estuda os Espíritos, não podemos imaginar que poderíamos ter com essas inteligências desencarnadas, a mesma facilidade que temos com, por exemplo, os elementos químicos, sempre à nossa disposição, ou as experiências da Física, tratando com corpos inertes ou forças que podemos provocar. As inteligências que lida o Espiritismo têm, antes de tudo, livre-arbítrio, razão e consciência.
Kardec, em A Gênese, item 16, diz: “O Espiritismo e a Ciência se completam reciprocamente; a Ciência, sem o Espiritismo, se acha na impossibilidade de explicar certos fenômenos só pelas leis da matéria; ao Espiritismo, sem a Ciência, faltariam apoio e comprovação”.
O Espiritismo se classifica como o conjunto das ciências positivas ou experimentais, utilizando-se do método analítico ou indutivo, observando e examinando os fenômenos mediúnicos, experimentando e, por fim, comprovando-os. O objeto de seus estudos é o Espírito, por ser ele o princípio inteligente do Universo.
O Espiritismo Religioso
A palavra religião vem de duas outras palavras: relegere, que significa “tratar com as coisas de Deus, ou de religare, isto é, ligar o homem a Deus, ou melhor, levá-lo de volta a Deus”.
Desde os tempos mais remotos considerou-se como religião, o culto formal, os templos, igrejas, imagens, rituais, hierarquia sacerdotal, os dogmas, mitos e crendices. Sempre associamos religião a todos os aspectos. Vem o Espiritismo e demonstra que isso não é religião no sentido exato da palavra. No sentido que sempre imaginamos, o Espiritismo não é uma religião, pois não aceita nenhum desses formatos ou condições.
Em outra oportunidade Kardec declarou que o Espiritismo não era uma religião. Num discurso pronunciado em 1º de novembro de 1868, na Sociedade Espírita de Paris (Revista Espírita, vol. 12, ano XI, Dezembro/1868) ele diz:
“Porque não há uma palavra para exprimir duas ideias diferentes, e que, na opinião geral, a palavra religião é inseparável da de culto; desperta, exclusivamente, uma ideia de forma, que o Espiritismo não tem. Se o Espiritismo se dissesse uma religião, o público não veria nisto senão uma nova edição, uma variante, caso queira, dos princípios absolutos em matéria de fé; uma casta sacerdotal com seu cortejo de hierarquias, de cerimônias e de privilégios; não o separaria das ideias de misticismo e dos abusos contra os quais tantas vezes se levantou a opinião pública.”
Contudo, Kardec declarou também que o Espiritismo tem um sentido nitidamente religioso quando estabelece um laço moral entre os homens; quando os une, “como consequência da comunidade de vistas e de sentimentos, a fraternidade e a solidariedade, a indulgência e a benevolência mútuas”.
Notamos, pois, a sabedoria dos Espíritos Superiores, principalmente Jesus, quando ofereceu-nos o Evangelho Segundo o Espiritismo (Abril/1864) somente após termos recebido O Livro dos Espíritos (Abril/1857) e  O Livro dos Médiuns (Janeiro/1861).
O Espiritismo enfatiza nossa necessidade e destinação ao progresso. Esclarece-nos que, para atingirmos essa meta, precisamos, necessariamente, da reformulação interior, a qual se apóia no sentimento religioso de todas as criaturas, externado em atos de adoração e contrição, em uma conduta moralmente elevada.
Ao contrário de outras religiões, o Espiritismo demonstra a partir da fé raciocinada, não se valendo de misticismos e segredos,e sim de uma forma integral e consciente, em que a conduta humana deve ser elevada pelas questões mais lógicas do princípio de causa e efeito. Nunca se valeu de ameaças, penas e sofrimentos eternos, mas direcionou as explicações para o bom senso e fé depois do exercício da razão.
Bem, o assunto está lançado; quem tiver outra visão, por favor, apresente e vamos aprendendo juntos.

3 comentários:

  1. Olá querido Valmir

    Diante de seu discurso muito bem elaborado, emito minha humilde e limitada opinião.

    Não excluindo os aspectos Ciência e Filosofia, vejo o Espiritismo como Religião, já que "fora da caridade não há salvação", o que está estritamene ligado a "ame ao próximo como a ti mesmo", ou seja, ações ou posturas que nos elevam e nos levam a Deus.

    Beijos,
    Fabiana Sanches (ex-aluna FEESP)

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  2. Olá Valmir,
    Que alegria poder lhe acompanhar por aqui!
    acredito que a religião é parte do todo responsável por nos humanizar, nos transforma como seres, nos aprimora e nos eleva, e sobre tudo nos religa ao sentido da vida... assim sendo mesmo com meu pouco diálogo com o espiritismo penso sim ser ele uma religião.
    Abraços fraternos, Ariovaldo Ribeiro (aluno ainda que, Professor da Seicho-No-Ie)

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